Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
Vilarinho da Furna está de luto - VI
Finalmente, o Henrique Pereira dos Santos deu-me "toda a razão". É de saudar. Só lhe fica bem.
Quanto às falácias do Henrique, que referi, relativamente às suas contas inflacionadas para controlo dos incêndios, em Vilarinho da Furna, elas rsultam, essencialmente, de aplicar a mesma média exagerada, a todo o terreno.
É que, nos 2000 ha do monte de Vilarinho, há situações muito dferentes. Como pode haver formas de interveção muito diferenciadas. Em termos concretos, nesse monte, há uns 50% de grandes afloramentos rochosos e zonas de vegetação espontânea muitos rasteira, bastante inacessíveis, que não carecem, praticamente, de intervenção. Depois, os tipos de intervenção também são muito diferentes, conforme a natureza dos terrenos. Em Vilarinho, em 2009/2010, foram utilizados 4 tipos: fogo controlado durante o inverno; faixas de proteção com roça e detroço de mato; roça e detroço de mato integral em zona de matagal com mais de 30 anos, com bastante pedra; roça e detroço de mato integral, com desbaste de pinhal, em área ardida há 25 anos.
Evidentemente que os preços por hectare são muito diferenciados. Por exemplo, em 2009, fora dos afloramentos rochosos, a custo zero, fez-se fogo controlado e faixas de proteção, a um custo médio de 8 euros por hectare. Já, em 2010,  roça, destroço e desbaste de pinhal, nas zonas antes referidas,  e fogo controlado noutras (poucas) áreas, ficou por uns 1000 euros por hectare.
Eu próprio fiquei "assustado" com este último orçamento, Mas foi-me explicado que era a única zona no Monte de Vilarinho que ficaria a custo tão elevado, dado o tipo de matagal e terreno pedregoso, acrescido do desbaste de pinheiros.
De futuro, utilizar-se-iam, principalmente, os fogos controlados, de inverno, e a limpeza de faixas de proteção. E uma coisa é roçar matagais com 30 anos e outra, bem diferente, quando os matos têm apenas 4 anos, como propus.
Além disso, em Vilarinho, há pontos mais expostos ao início de incêndios, que estão perfeitamente identificados e que devem ser objeto de especial cuidado de limpeza.
Isto relativamente a Vilarinho da Furna.
Extrapolando para o país, e dando de barato que, neste, "cerca de seis milhões [de hectares] são matos e floresta", como diz o Henrique, penso que a este valor também se lhe deveria subtrair uns 50% relativos a afloramentos rochosos, estradas, auto-estradas, caminhos, lagoas, baragens, rios, que há pelo meio dos referidos matos e floresta. E o respetivo custo anual de 300 milhões de euros, referido pelo Henrique, já ficava reduzido a 150 milhões de euros.
Optando, maioritariamente, pelo fogo controlado de inverno e faixas de proteção, penso que facilmente se poderia reduzir o valor, antes apontado, para uns 50 milhões de euros ano. O que seria metade do "custo do dispositivo do combate", mencionado pelo Henrique. E a efiência (presume-se) seria muito maior, pois, como tem estado, não é só Vilarinho que, todos os anos, fica de luto, mas todo o país. E "o ambiente agradece" a mudança de paradigma de luta contra incêndios.
Manuel Antunes
 
NB - Esta mensagem está escrita segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, exceto nas gralhas e citações.
----- Original Message -----
From: Henrique Pereira dos Santos
To: 'Manuel Antunes' ; 'AMBIO'
Sent: Sunday, September 12, 2010 7:28 PM
Subject: RES: [ambio] Vilarinho da Furna está de luto

O Manuel tem toda a razão, concordo com tudo o que diz e etc..

Só tenho pena foi que se tivesse esquecido de dizer quantos hectares limpou com os 65 000 euros. Isso é que era informação útil para a discussão.

Quanto ao país todo fazem-se já umas contas de algibeira: o país tem 9 milhões de hectares. Destes, cerca de seis milhões são matos e floresta. Vamos admitir que é preciso limpar os matos de cinco em cinco anos. Para facilitar, vamos admitir que só limpamos 5 milhões de hectares, ou seja, um milhão por ano. O preço de limpar matos varia entre os 50 euros por hectare nas situações mais favoráveis (povoamentos industriais bem instalados onde pode passar uma grade de discos), até muito mais de 1000 euros por hectare (escarpados só passíveis de ser limpos manulamente e com produtividades de trabalho muito baixas. Vamos estipular um preço de 300 euros por hectare (que é um preço médio baixo). Custo anual: 300 milhões de euros. Custo do dispositivo de combate (que mesmo assim não pode ser todo eliminado, mas vamos supôr que sim): 100 milhões.

Caro Manuel,

Venham de lá os seu números e deixe a retórica para quem aprecia o género.

henrique pereira dos santos



publicado por MA às 12:30
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